RED CELL DISTRIBUTION WIDTH – RDW

(Distribuição da Largura das Células Vermelhas)

 

O eritrócito é uma célula sanguínea sem núcleo, muito sensível aos artefatos e por este motivo, a análise morfológica da distensão sanguínea, requer um esfregaço de boa qualidade, realizado com sangue fresco e bem corado pela mistura de Romanovsky.

Infelizmente, o volume de exames em nossa rotina diária dificulta uma maior atenção do profissional na análise microscópica das alterações.

Com o advento da automação em hematologia, a contribuição dos citômetros de fluxo para a realização das contagens sanguíneas tornou-se indiscutível, implementando maior rapidez e reduzindo significativamente os erros.

Passamos também a evidenciar uma maior acurácia nos resultados, na medida que um número maior de células é analisado.

A sofisticada tecnologia contudo, não substitui a microscopia realizada pelo morfologista, entretanto permite um grande “screening”, possibilitando assim uma avaliação mais demorada e criteriosa dos casos anormais.

Nos contadores hematológicos de última geração, as hemácias passam por cerca de 150 canais, que são micro aberturas calibradas. O número e o tamanho dos eritrócitos são medidos de acordo com as alterações produzidas na condução de eletricidade entre dois eletrodos: positivo e negativo (anodo/catodo). Quando a hemácia passa através da micro abertura calibrada, interrompe a corrente elétrica, gerando um pulso. Assim, o número de pulsos corresponde ao número de eritrócitos e a magnitude do pulso ao seu volume.

São avaliadas de 20 a 30 mil células em duas contagens sucessivas, nos permitindo fundamentos para o Histograma Eritrocitário: VCM, HCM, CHCM e RDW com faixa de variação entre 11,5 e 14,5 %.

Após a contagem, as hemácias são agrupadas por tamanho e distribuídas em uma curva, que nos fornece um índice de dispersão da anisocitose, denominado também de Coeficiente de Distribuição do Volume dos Glóbulos. Este índice, se constitui num parâmetro importante para avaliar o grau de variação do “tamanho” do eritrócito. Assim, valores de RDW na faixa da normalidade, indicam uma homogeneidade do “tamanho” das hemácias, e valores elevados sinalizam eritrócitos heterogêneos quanto ao seu “tamanho”.

Posto que as hemácias não têm o mesmo “volume”, quanto maior for o RDW, maior será a variação no “tamanho” dos glóbulos. O RDW e o VCM se correlacionam, pois ambos dão informações sobre o “volume” das células vermelhas. O VCM é o resultado da média de todos os “tamanhos” das hemácias analisadas, e conseqüentemente só apresentará valor menor que 82 fl e maior que 96 fl, quando já existir uma determinada quantidade de hemácias menores ou maiores respectivamente.

Deste modo, encontraremos casos que já apresentam hemácias menores ou maiores, mas que a quantidade dos glóbulos ainda não foi suficiente para alterar o VCM (82 a 96 fl). Devemos também analisar a relação entre o histograma e o RDW, tanto numérica como visualmente. O RDW estará sempre representado na base do histograma, e quanto mais alargada a base, teremos uma maior variação no “tamanho” das hemácias e conseqüentemente um RDW mais elevado. Se a base for estreita, significará uma menor variação no “tamanho” das hemácias, com menores valores para RDW.

Concluímos desta maneira, que o Histograma Eritrocitário e o RDW, devam ser interpretados em conjunto, pois eles se complementam.

 

INTERPRETAÇÃO DO RDW

Exemplo 1:

VCM: 86 fl

RDW: 10,5 % (Normal)

Base Estreita

 

 

Exemplo 2:

VCM: 86 fl

RDW: 19,0 % (Anormal)

Base Alargada

 

 

 

Novembro - 2003

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